sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Outra Responde...

Eu não odeio fakes. Pelo simples fato de que todos somos fakes. O parecer ser está incrustado no nosso cotidiano e a internet é apenas mais um meio de manifestar isso. Somos todos atores sociais e nem por isso nos sentimos mentirosos. Ninguém age no trabalho da mesma forma que age em casa. Todos somos filhos, pais, profissionais e não agimos da mesma forma nessas situações. E isso não é considerado mentira. É um acordo tácito.

Fora isso, ninguém se mostra como realmente é. A gente corta o cabelo, corta unha, branqueia os dentes... mulher então, nem se fala. Meu cabelo não é dessa cor, nem tão liso assim, nem nada disso que você, na verdade é assim.

Não odeio fakes, mas acho que quando a pessoa passa a necessitar de um pra viver, bem, sai da esfera da normalidade. Acho saudável a fantasia. Acredito que se a pessoa "desveste seu avatar e pronto, conectado ao mundo real", beleza. Enquanto conseguimos distinguir mundo real de fantasia, perfeito. O problema acontece quando tudo isso se confunde...

Quanto a ter amigos ou amores cibernéticos, também não vejo problema algum. Afinal, se a amizade te faz bem, se a companhia é agradável, qual o problema? E convenhamos, ninguém consegue ser "inteligentemente fake". Por mais irreal que tudo possa ser, ninguém consegue fingir por muito tempo que é culto, se na verdade não o é, por exemplo. No fim, o que sobra são os fingimentos a que todos somos submetidos todos os dias pelos seres ditos "reais". Muito mais cínicos muitas vezes. Muito mais enganadores, muitas vezes. E assim chegamos ao ponto onde pra mim, tudo sempre converge: caráter. Quando uma pessoa tem caráter, não importa a forma como ela interage. Real, fake, não interessa. Cada um pode buscar livremente por aquilo que lhe dá prazer, por aquilo que lhe faz bem. Quando a intenção é só essa, dificilmente alguém sai prejudicado. Cabe sempre o bom senso. E a lucidez. Se tu procuras algo real, seja uma pessoa real, vá a lugares reais, e quem sabe a realidade acontece.Ou não.

Ser quem não se é... alguém aí sabe me dizer exatamente quem é? Eu não sei. Estou em constante autodescoberta. Então posso ser uma fake nesse momento? Huuumm, arrisque-se a descobrir...



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Mente ao meu coração
Que cansado de sofrer
Só deseja adormecer
Na palma da tua mão
Conta ao meu coração
Estória das crianças
Para que ele reviva
As velhas esperanças
(...)
Mente ao meu coração
Mentiras cor-de-rosa
Que as mentiras de amor
Não deixam cicatrizes
E tu és a mentira mais gostosa
De todas as mentiras que tu dizes

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A Outra

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fakes, como eu os odeio. Apenas um manifesto sobre este absurdismo da internet

Ultimamente o mundo cibernético está lotado de fakes. Fakes mentem, fingem, mostram personalidades perfeitas que não existem ou ainda que são completamente manipuláveis. Fakes mostram um comportamento supremo da vontade do ser humano sobre o ‘parecer ser’. Afinal, quando a coisa aperta de verdade, ele simplesmente desveste aquele avatar e pronto: conectado ao mundo real – ou nem tão real assim.

Eu compararia o fake a uma mulher photoshopada: simplesmente não tem graça. Aquela cinturinha e aqueles peitões não existem! O fake É superficial, todas as palavras são medidas e calculadas. Toda a ação leva a uma reação lógica, calculada e planejada. Não há a face para te desmentir, a gagueira na hora da verdade, não. Há o teclado, o MSN e o blog. Lá tudo rola perfeitamente, sem falhas, desvios, defeitos, nem nada.

Quem está por detrás de um fake costuma cometer falhas patéticas. Textos prontos, opiniões vazias, lotadas de lirismos na escrita. Algo que impressiona. Farsas em um álbum de fotografias ‘cult’, uma música ‘cult’ e até cigarros ‘cult’. O fake, no momento da verdade, treme. Ele encara a vida de lado e se absorve em seu mundo cibernético, lotado de bolachinas recheadas e pacotes de Ruffles, regados a coca-cola 2l.

Fakes podem ser adoráveis, pois todos eles dizem exatamente o que tu queres ouvir; todos eles serão seus melhores conselheiros, melhores amigos e, dentro da cabeça de quem os ouve, até seus melhores amantes.

MENTIRA, cara dona de casa que lê este manifesto!

Porém este é um comportamento aceitável do ser humano. Por quê? Pois ele exprime a vontade básica do ser humano: ser quem tu não é em ao menos um momento da vida.

PS: este blog será caracterizado por xingamentos ao normalismo do dia a dia. Este blog não é normal, leitor. Este blog é brigão!

Próximo capítulo: corneteiros de apartamento.